Acoplado à estratégia "plim-plim", verifica-se um deletério processo de colonização cultural. Todo ano, no dia 31 de outubro, em Brasília e em suas cidades vizinhas, aumenta cada vez mais a realização da Festa Halloween das Bruxas, importada há poucos anos dos Estados Unidos da América. Esse fenômeno acontece ao mesmo tempo em que na Quaresma é banida gradualmente a Malhação de Judas. O DF é a unidade da Federação que mais sofre com a invasão cultural alienígena, porque aqui vive grande número de pesquisadores com doutorado nos Estados Unidos. Os filhos dos doutores, que passaram quatro anos no exterior, voltam como adolescentes que não tiveram sua formação cultural impregnada de cirandas, feijoadas, catiras e maracatus. Ao contrário, trazem uma vivência de rock, fast-foods, baseball, rollers, skates, RPG e halloween.
Essas manifestações que passam a integrar o fazer cultural das novas gerações não devem ser combatidas, porque a miscigenação vai enriquecendo nossa cultura mestiça. Mas a adoção e a prática das novas manifestações culturais não podem mascarar e massacrar aquelas outras cujas raízes são características históricas de nossa nacionalidade.
A política cultural da monocultura bem se afina com aquela política do monopartido que vigora na falsa polarização PSDB-PT. Os governos pró-imperialistas que querem se perpetuar no poder, a nível nacional e a nível local, têm consciência acerca da ameaça que a Cultura e a Educação podem impor a seus objetivos. Para eles são perigosíssimos o livro, a leitura, a alfabetização, assim como a arte livre e revolucionária. A privatização do apoio à cultura é o caminho para a concretização desse pensamento: os empresários em geral e os banqueiros em particular passam, através das leis de incentivo fiscal, a ter o poder de escolha, seleção e censura de projetos culturais.
Existem dois tipos de arte revolucionária. Ambas interessam à educação e à conscientização política do povo. Ambas incomodam as classes dominantes. Uma delas é a arte experimental e inovadora em sua linguagem, que desafia a tradição burguesa e elitista. Outra é aquela que tem linguagem tradicional mas que é suporte eficaz para mensagens engajadas na luta por justiça social.
A democratização da cultura, em seus aspectos de produção e fruição, nunca se concretizará se a deixarmos à mercê do mercado. Não são os empresários e o público consumidor que hão de sustentar a nova e revolucionária produção artística, porque o retorno desse tipo de arte é de longo prazo.
O neoliberalismo implantado no Brasil entrega todas as rédeas de nosso futuro à iniciativa privada. Ao bandido são entregues o ouro, o lucro, a segurança nacional, o poder decisório, o controle da informação e da comunicação e também o recriado poder de censura.
A Lei do Mecenato, nos moldes em que vem sendo implementada, nada mais faz do que privatizar o apoio à cultura. É o governo, para que se cumpra o dever do Estado, que deve direta e especificamente apoiar a cultura. Se a questão estratégica for considerada em sua plenitude, será fácil ter-se consciência de que a Cultura e as Artes, melhor que o Comércio, a Indústria e as Forças Armadas, são os fatores que provocam a admiração e o respeito internacional. É justamente a intensidade desse apoio às Artes que irá determinar, em termos políticos, a opção entre hegemonia, aliança ou submissão.
O PSOL quer tratar a questão cultural como sendo item primordial e prioritário na prática da cidadania e na construção de uma sociedade avançada, solidária, igualitária e fraterna. O "perigo" da livre prática cultural do povo brasileiro também preocupou os governos da ditadura militar que, inteligentemente, trataram de desmantelar todo o projeto cultural brasileiro.
Somente o Estado, de anseios não imediatistas, tem condições de se preocupar e bancar projetos que se preocupam com as gerações futuras.
4. Cultura no DF: voltada à diversidade social
A política de difusão da arte e da cultura deve, antes de tudo, estar voltada à diversidade social do público. O PSOL quer abrir espaços para que o acúmulo, a prática e a fruição cultural se democratizem por todos os pontos do DF, fazendo com que o povo, em sua totalidade, tenha condições e liberdade para avançar no desenvolvimento de sua criatividade e de sua sensibilidade. Assim, a boa política cultural será aquela em que brincantes de maracatu e de bumba-meu-boi, bonequeiros, atores, músicos, cineastas, escritores, compositores de sinfonias e óperas, repentistas, compositores de música popular, profissionais da dança, bandas, cordelistas, orquestras, artistas plásticos, fotógrafos, artistas circenses, grupos de rock, chorinho, pagode, samba, funk e hip-hop terão condições e espaços ideais para suas manifestações artísticas.
De cada artista conforme sua linguagem e criatividade, a cada artista e a cada manifestação artística conforme suas necessidades.
5. Programa
A partir desses princípios, eis algumas das ações que JORGE ANTUNES pretende implementar no Distrito Federal:
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